SETEMBRO AMARELO: O QUE A DEPRESSÃO E A ALMA TÊM A DIZER NA VISÃO DE CARL JUNG

No Setembro Amarelo, somos convidados a falar sobre a vida e a esperança. É um mês dedicado à prevenção do suicídio, uma dor tão profunda que, muitas vezes, não encontra palavras. Mas, como terapeuta especialista em Psicologia Analítica, sei que a chave para a vida está, paradoxalmente, na compreensão da morte , não a literal, mas a simbólica.


Para CARL GUSTAV JUNG, a vida não se vive sem que algo morra. A alma, em sua busca constante por individuação, exige transformações. E muitas vezes, a dor extrema que leva ao desejo de acabar com a vida é, na verdade, um grito desesperado por uma morte simbólica. É um convite do inconsciente para o fim de uma forma de ser que já não nos serve mais.

A DEPRESSÃO COMO MENSAGEIRA, A METÁFORA DA SENHORA DE PRETO


Jung tinha uma metáfora poderosa para a depressão, um dos quadros mais associados ao desejo de morte. Ele dizia: “A depressão é como uma senhora vestida de preto. Se ela aparecer, não a afaste. Convide-a para sentar, trate-a como uma convidada e escute o que ela tem a dizer”.
Essa visão nos tira do campo da luta e nos leva para o da escuta. A senhora de preto, que simboliza a introspecção e o luto, não é nossa inimiga. Ela é uma mensageira que chega para nos alertar que algo vital foi negligenciado. Ela nos força a parar, a desacelerar e a olhar para o nosso mundo interior. Se resistimos e tentamos expulsá-la, ela se torna mais forte.
Mas se a acolhemos, ela pode nos mostrar o caminho. A dor que sentimos é, na verdade, um alerta que aponta para o que precisa morrer em nós: um hábito destrutivo, um padrão de pensamento limitante, uma crença que nos aprisiona ou um papel social que nos sufoca.

O renascimento Através dos Símbolos: A Morte Simbólica em Jung

A linguagem do inconsciente é a linguagem dos símbolos. É aqui que eles ganham força e nos salvam da literalidade. Em vez de interpretar a dor como um pedido para acabar com a vida, podemos entender que o desejo de morte é o desejo de fim de uma situação insuportável.
A morte de uma crença, de um comportamento ou de uma identidade pode abrir espaço para o nascimento de uma nova forma de ser. Assim como o ipê amarelo floresce em meio à secura, o nosso renascimento pode brotar da escuridão da alma. O que a “senhora de preto” nos pede para deixar ir?
Acolher essa dor não é validar o sofrimento, mas honrá-lo como um processo natural de transformação. É um ato de coragem e de amor-próprio. E a primeira e mais importante semente que pode ser plantada nesse solo é a busca por ajuda profissional.


Se você se identifica com essa dor, se sente que algo precisa morrer para que possa viver de verdade, saiba que não precisa fazer isso sozinho. Há profissionais e pessoas dispostas a ouvir e a te guiar por esse caminho de transformação. Lembre-se, o CVV (Centro de Valorização da Vida), no número 188, está sempre disponível para te acolher. Você pode acessar o site oficial para mais informações: https://www.cvv.org.br.


Seja a coragem que a sua alma precisa para florescer!

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Escrito por

Psicoterapeuta/Analista Junguiana e Expert Florais de Bach.