TERAPIA “SANDPLAY” – O JOGO DA CAIXA DE AREIA

A Terapia Sandplay ou o jogo da caixa de areia foi desenvolvida por Dora Kalff, terapeuta junguiana, na Suíça, com base em seus estudos no Instituto Carl Gustav Jung, em Zurique, no budismo tibetano, e com Margaret Lowenfeld, na Inglaterra. Por esta técnica de terapia é dada ao cliente a possibilidade de criar um mundo que corresponda ao seu estado interior utilizando diversas figuras e a área delimitada pela caixa de areia. 

Desta forma, através de um jogo livre e criativo e por meio de associações, os processos inconscientes se tornam visíveis em três dimensões e formam um mundo imaginativo comparável à experiência do sonho. Através de uma série de imagens que se formam, o processo de individuação descrito por CG Jung é estimulado e levado a bom termo. 

Para o Sandplay os clientes têm à sua disposição uma série de pequenas figuras com as quais irão lidar para representar formalmente seus mundos internos. As figuras a partir do qual podem escolher devem representar tão completa quanto possível, todos os seres inanimados e animados que encontramos no mundo externo, assim como no mundo interior imaginativo: árvores, plantas, pedras, mármores, mosaicos, animais, mulheres e homens comuns que exercem atividades diversas, soldados, figuras de contos de fadas, figuras religiosas de diversas esferas culturais, casas, chafarizes, pontes, navios, veículos, etc.  

O Sandplay torna possível encontrar e desempenhar um novo relacionamento com o nosso próprio íntimo. Imerso no jogo, a pessoa consegue fazer uma imagem interior visível. Assim, é estabelecida uma ligação entre o interno e o externo. Podemos dizer que a fantasia se torna fecunda apenas quando é obrigada a limitar-se dentro de formas definidas. O resultado é a liberdade da polaridade/restrição.  Liberdade, por um lado, consiste no fato de que poucos limites são estabelecidos para a definição da atividade do cliente. O cliente tem a possibilidade de selecionar a variedade de figuras e de construir um retrato do mundo que está mais próximo a ele. Restrição, por um lado, reside no fato de que, de muitas figuras, a escolha deve ser feita, desta forma os clientes conseguem retratar a problemática que é inconsciente para eles. Agora, observe que um processo é posto em movimento no qual o inconsciente, a totalidade escondida, assume a liderança: quando as pessoas começam a jogar, se submetem à lei que leva a reconciliação dos opostos, que na verdade é a característica decisiva do jogo.  Outra polaridade importante no jogo de areia ocorre entre o corpo e a alma. A imagem é formada na areia fisicamente, de modo que podemos dizer que o conteúdo interno encontra uma forma ou existência externa. Um pré-requisito, entre outros, para o desdobramento das forças internas é algo que designamos como espaço livre e protegido.  É tarefa do terapeuta, para dar forma a esse espaço, oferecer um ambiente livre em que o cliente se sinta plenamente acolhido. É um espaço protegido pelo fato de que o terapeuta do sandplay reconhece os limites do paciente. O terapeuta se torna uma pessoa confiável. Desta forma tendências destrutivas ou negativas não são suprimidas, mas são retratadas e transformadas. 

A experiência mostra que uma discussão ou uma interpretação extensiva da atividade sandplay pode inibir a capacidade do cliente de manter aberta a comunicação ou expressão espontânea de um nível pré-verbal. Para o processo de cura e auto-percepção, no entanto, é de importância decisiva estabelecer contato com os lados ainda inconscientes. Por esta razão, é um aspecto importante deste trabalho que a discussão e tomada de consciência dos conteúdos em um nível verbal seja adiada até que o processo de experiência “sandplay” seja largamente concluído. O elemento principal, então, com esta forma de terapia, é a formação e a experiência das imagens de areia e da resolução resultante de tensões internas. Este tipo de experiência, também, pode ser visto como uma forma de tomada de consciência dos conteúdos inconscientes, embora não no nível verbal, mas do que da concepção e vivência de tais conteúdos. A experiência interior destes conteúdos freqüentemente precede modificações no plano externo da vida. O fato de que as imagens não são comentadas e interpretadas durante o trabalho sandplay não exclui a possibilidade de que, um processo de tomada de consciência da experiência em um nível interpretativo verbal pode ser de grande significado mais tarde. É importante, no entanto, que o terapeuta ou conselheiro entenda o símbolo de linguagem das imagens corretamente e, com base nessa compreensão, siga o processo interno e, em determinadas circunstâncias, sem fazer referência ao jogo de areia, estabeleça conexões com a situação da vida externa e levante possíveis problemas. Em consonância com este trabalho deve haver espaço para discutir problemas do cotidiano e analisar os sonhos importantes, juntamente com o analisando. Para ser capaz de realizar a tarefa sandplay, o terapeuta conselheiro, além de treinamento psicológico, deve ser capaz de cumprir dois requisitos importantes: 1- um profundo conhecimento da linguagem dos símbolos – tal como expresso nas religiões, mitos, contos de fadas, literatura, arte, etc . 2- Acima de tudo, deve ter experimentado um destes símbolos e sua eficácia com base em um processo de maturação psíquica própria. Só a prática torna possível acompanhar a experiência do cliente de forma eficaz.  Journal of Sandplay Therapy, Volume 1, Number 1, 1991. Journal of Sandplay Therapy, Volume 1, Número 1, 1991.

Escrito por

Psicoterapeuta Junguiana pós-graduada pela FACIS e IJEP e Expertisse em Terapia Floral de Bach.

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